sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Parábolas de Jesus - FÉ e SERVIÇO

SERVOS INÚTEIS Lc 17:7-10

Qual de vós, tendo um servo a lavrar ou a apascentar gado, lhe dirá, ao voltar ele do campo: chega-te já, e reclina-te à mesa?

Não lhe dirá antes: Prepara-me a ceia, e cinge-te, e serve-me, até que eu tenha comido e bebido, e depois comerás tu e beberás?

Porventura agradecerá ao servo, porque este fez o que lhe foi mandado?

Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer.


Lucas introduz esta parábola com o pedido dos discípulos: ”Aumenta-nos a fé.” Lc 17:5 E Jesus responde: “Se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda...” Lc 17:6

Observando Jesus há algum tempo, os discípulos testemunham a sua tenacidade, força de vontade, determinação, que se mantém inabalada, mesmo diante das provocações e do desdém de muitos. Acreditando que através da fé teriam esta segurança, então lhe pedem: “Aumenta nossa fidelidade, nossa sintonia com o mundo espiritual.” Reforçando sua resposta, Jesus lhes fala a parábola. Eles pensavam que precisavam de mais fé para aprender a servir como Jesus, fazendo na realidade uma inversão de necessidades, pois se não sabemos nem servir, como podemos ter nossa fé aumentada?


1º MOMENTO: O QUE É A FÉ?

Como sinônimo de FIDELIDADE é a confiança em si mesmo, quando você é capaz de realizações que parecem impossíveis. O oposto é aquele que acredita na sorte, conta com a “maré”, a posição das estrelas e, portanto, na maioria das vezes desanima e não persevera.

Como CRENÇA, é uma convicção íntima, está associada a uma religião e tem como objetivo nos tornar melhores e nos encaminhar para Deus. É o oposto do fanatismo, que cega e anula convicções.

Significando DESEJO, traduz nossa esperança em alguma coisa. Gostamos de dizer: “Tenho fé que isto vai acontecer”.

A Fé como Jesus a sentia é a fé PURA e CRISTALINA, independente de crenças, de modismos, é segurança absoluta no amor, justiça e misericórdia de Deus. Esta não se impõe e tampouco é um dom. É a mais sublime, mas também a mais difícil.

RACIOCINADA faz uso da lógica, da observação dos fatos. Compreendemos o que sentimos e, por isso mesmo, nos aproximamos de Deus. A Doutrina dos Espíritos é baseada nesta fé e traz respostas a uma série de inquietações que o homem tem.

Se agora conseguimos compreender um pouco mais sobre a fé, como se faz para aumentá-la? Assim como os discípulos, sentimos a necessidade de ter uma grande fé, aquela que nada nos altera ou tira a nossa determinação, tornando-nos capazes de transportar montanhas.

A fé, como tudo o mais, é dinâmica, desenvolvida e também se aperfeiçoa. É uma virtude, e como tal, deve ser aprendida através de múltiplas experiências. Para ser fortalecida e aumentada, deve se apoiar em atos de benevolência, em devotamento ao próximo, em renúncia pessoal a favor dos outros. A fé, como Jesus a sentia, significa doação e serviço, que cresce na proporção direta da libertação de qualquer espírito mercenário.

Emmanuel nos diz, em Palavras de Vida Eterna, sob o título Êxito, c.64, que “o homem se preocupa em ganhar para fazer, ao invés de fazer para ganhar”. Mais uma vez somos lembrados de que invertemos nossas necessidades, esquecendo como agia nosso melhor exemplo: Jesus.

Já que só entendemos as coisas a partir de ganhos, pensemos que a fé é o salário dos bons obreiros. Como reivindicamos no mundo melhores salários? Cumprindo primeiro os deveres, com empenho e eficiência. Do mesmo modo, para recebermos o salário da alma, devemos primeiramente cumprir nossos deveres de cristãos, com boa-vontade e empenho. Comparando mais uma vez com nossa atitude no mundo, quando queremos maiores salários, nos desdobramos em horas-extras, fazemos cursos de especialização, damos o melhor de nós, executamos as ordens com determinação, queremos ser o mais produtivo e sermos notados. Para que a nossa fé aumente devemos ter esta mesma dedicação. Somos todos trabalhadores da obra de beneficiamento e aperfeiçoamento do planeta, em regime de tempo integral, dedicados e interessados, alegres e constantes, sabendo que os ganhos revertem a nós mesmos, pela multiplicidade das existências.


2º MOMENTO: Na parábola, Jesus fala do servo. A relação entre senhor e escravo subentende a aceitação de autoridade e obediência. No Oriente Médio, onde as relações se baseiam em lealdade e honra, os benefícios para aquele que serve com empenho, são enormes. Jesus, mais uma vez, está falando sobre costumes e padrões de comportamentos bem conhecidos e aceitos. Este tipo de relacionamento entre senhor e servo foi criado pelos homens, não por Jesus. A parábola não traz um novo tipo de relacionamento, tampouco Jesus desvaloriza o servo. São colocadas ali as expectativas normais das tarefas de um dia. O servo cumpre as suas obrigações no campo e, ao voltar, antes de se alimentar e descansar deve servir ao seu senhor, como é de direito a este senhor.

Ao falar: “Porventura agradecerá”, mais uma vez Jesus está mostrando que obrigações devem ser cumpridas entre aqueles que estabelecem relacionamentos. Não há necessidade de agradecimentos por se cumprirem tarefas das quais se tem obrigação de fazer. O servo não espera por honras especiais por cumprir aquilo que lhe foi ordenado.

Nossa idéia de servidão é a do homem amarrado ao tronco, sendo chicoteado, as costas feridas, maltratado e desnutrido. Alguém explorado e obrigado a trabalhar arduamente. Foi desta forma que escravizamos os negros africanos. E por isso temos dificuldade em compreender a colocação de Jesus nesta parábola.


3º MOMENTO: O QUE É SERVIÇO COM JESUS?

Neste momento da vida de Jesus entre nós, as pessoas já o conheciam, haviam estado com ele, sua presença é desejada, ele era visto como o profeta que realiza coisas que nenhum outro era capaz. Os discípulos estão empenhados em segui-lo e em aplicar seus ensinos. Como em qualquer grupo que se relaciona, começam a haver disputas de liderança e prestígio. Convivendo intimamente todos os dias, os conflitos surgiram e, por isso, experimentavam ambições, suspeitas, desconfianças e mentiras entre eles. Isto era natural ao reunir gente tão diferente. Essas crises permitem ao grupo se conhecer melhor se encaradas como aprimoramento de possibilidades e limitações. Jesus está dizendo: “não deve haver nenhum privilégio, nenhuma opressão de uns sobre os outros, nenhuma diferença baseada em maior inteligência, habilidade ou qualquer outra razão”. Ele é exigente em que ninguém queira se colocar acima de ninguém.


Texto de apoio: adaptação de A MÁQUINA DE ESCREVER, do livro A luz que dissipa trevas, p. 53

Apxsar da minha máquina dx xscrxvxr sxr um modxlo antigo, funciona bxm, com xxcessão dx uma txcla. Há 42 txclas qux funcionam bxm mxnos uma, x isso faz uma grandx digxrxnça.

‘As vxzxs nós parxcxmos com a máquina dx escrxvxr, ondx nxm todos sx comportam como dxvxriam x achando qux sua ausxncia não fará falta. Vocx dirá: “Afinal, sou apxnas mais uma pxça sxm xxprxssão x, por isso, não farxei difxrxnça x falta ‘a tarxfa”.

Xntrxtanto para uma coisa progrxdir dx manxira xficixnte, prxcisa da participação ativa x conscixntx dx sxus intxgrantxs.

Na próxima vxz qux vocx pxnsar qux não prxcisam dx vocx, lxmbrx-sx dxsta máquina dx xscrxvxr x diga a si mxsmo: “xu sou pxça importantx no grupo x mxus amigos prxcisam dx mxus trabalhos x partipação.

Pronto! Consertei a máquina de escrever!


Todos nós temos coisas a fazer. Todos os que estão conscientes das tarefas que lhes foram oferecidas e das obrigações que assumiram fazem a sua parte.

O trabalho será executado mesmo sem você. Mas, algumas vezes sem a sua participação, este trabalho terá um resultado diferente e até mais demorado. O que diferencia um bom empregado é a capacidade de compreender o seu papel. Conforme o dom e a capacidade pessoal, cada um compreenda o que é preciso fazer.

Qualquer empresa tem ordens definidas para seus empregados. Algumas ordens são de alcance geral valendo para todos. Outras são específicas de cada função e dentro da mesma função pode variar segundo cada funcionário.


Texto de apoio: SOMOS CHAMADOS A SERVIR, do livro Alvorada Cristã, c.44, de Neio Lúcio, psicografia de Chico Xavier.

O legislador, com a pena, traça decretos para reger o povo.

O escritor utiliza o mesmo instrumento e escreve livros que renovam o pensamento do mundo.

Mas, não é só a pena que, manejada pelo homem, consegue expressar a sabedoria, a arte e a beleza, dentro da vida.

Uma vassoura simples faz a alegria da lim­peza e, sem limpeza, o administrador ou o poeta não conseguem trabalhar.

O arado arroteia o solo e traça linhas das quais transbordarão o milho, o arroz, a batata e o trigo, enchendo os celeiros.

A enxada grava sulcos abençoados no chão, a fim de que a sementeira progrida.

A plaina corrige a madeira bruta, coope­rando na construção do lar.

A janela é um poema silencioso a comuni­car-nos com a natureza externa; o leito é um santuário horizontal, convidando ao descanso.

O malho toma o ferro e transforma-o em utilidades preciosas.

O prato recolhe o alimento e nos sugere a Caridade.

O moinho recebe os grãos e converte-os no milagre da farinha.

O barro desprezível, nas mãos operosas ao oleiro, em breve surge metamorfoseado em vaso precioso.

Todos os instrumentos de trabalho no mun­do, tanto quanto a pena, concretizam os ideais superiores, as aspirações de serviço e os impulsos nobres da alma.

Ninguém suponha que, perante Deus, os grandes homens sejam sômente aqueles que usam a autoridade intelectual manifestada. Quando os políticos orientam e governam, é o tecelão quem lhes agasalha o corpo. Se os juizes se congregam nas mesas de paz e justiça, são os lavradores quem lhes ofertam recurso ao jantar.

Louvemos, pois, a Divina Inteligência que dirige os serviços do mundo!

Se cada árvore produz, segundo a Sua espe­cialidade a benefício da Prosperidade comum, lembremo-nos de que Somos todos chamados a servir na obra do Senhor, de maneira diferente

Cada trabalhador em seu campo seja hon­rado pela Cota de bem que produza e cada servo Permaneça Convencido de que a maior homenagem suscetível de ser prestada por nós ao Senhor é a correta execução do nosso dever, Onde esti­vermos.


Frente ao modelo senhor-escravo que estamos habituados e que os poderes do mundo tratam de manter, Jesus nos traz a parábola lembrando-nos que todos somos servos a quem nada se deve, não por sermos imprestáveis, mas porque fazemos apenas o que temos de obrigação e nada além e, com isso, não há valor especial ou mérito.

Com nossa típica arrogância achamos difícil servir. Chamando-nos de servos inúteis, Jesus dá um golpe em nosso ego, mas ele mesmo nos explica: “fizemos somente o que devíamos fazer.”

Esperamos por agradecimentos, recompensas e compensações, mas serviço com Jesus é movido por um senso de dever e lealdade e não esperança de ganhos. A motivação do serviço não deve ser pesada em uma balança em que tendo servido, queremos fazer reinvidicações a Deus, preenchendo um livro contábil ou acumulando bônus-hora.

Continuamos achando que o bom mesmo é ser servido, mantendo um sentimento de superioridade e arrogância.


O conceito de serviço foi muito bem explicado no livro O MONGE e o EXECUTIVO, de James C. Hunter. Você pode ver aqui: http://www.esnips.com/doc/7ed804e2-97e6-430a-ad1d-7ba97bae69cf/O_Monge_e_o_Executivo.


Encaramos nosso serviço com Jesus como opcional. Nossa disposição varia ao menor obstáculo. Não levamos a sério, demoramos para iniciar e quando fazemos é com desleixo, longe da mesma dedicação que oferecemos aos nossos afazeres corriqueiros.

O servo de Deus trabalha para cumprir um dever. Ele não faz apelos e nem recebe honras. Desta forma somos conduzidos a atos desinteressados, produzindo o clima propício para atitude espiritual da fé. O que serve com naturalidade aceita com a mesma naturalidade ser servido. Basta lembrarmos de Jesus na passagem do lava-pés de seus discípulos. Jesus está entre eles como um senhor que serve, mas ao mesmo tempo, ele continua sendo o senhor.



bil ou acumulando bro contmos fazer reinvidicaçca: "s e compensaçoderes do mundoaçxncia nbilataçt


Parábolas de Jesus - A MENSAGEM

O GRANDE BANQUETE Lc 14:15-24

Jesus, porém, lhes disse: Um homem certa vez deu um grande banquete e convidou a muitos.

E mandou o seu servo na hora do banquete dizer aos convidados: Vinde, pois tudo já está preparado!

Mas todos igualmente começaram a apresentar desculpas. O primeiro lhe disse: comprei um campo e preciso ir vê-lo; peço que me desculpes.

E outro disse: comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-los, peço que me desculpes.

Ainda outro disse: casei-me e, portanto, não posso ir.

Assim o servo voltou e contou isto ao seu senhor. Então o dono da casa, indignado, disse ao seu servo: sai depressa para as ruas e becos da cidade. Traze os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos.

E o servo lhe disse: Senhor, feito está como o ordenaste, e ainda há lugar.

Respondeu o senhor ao servo: sai pelos caminhos e sebes e obriga-os a entrar, para que a minha casa se encha.

Pois eu vos digo que nenhum daqueles homens que foi convidado provará do meu banquete.

Esta parábola esta no ESE, cap.18, numa versão simplificada de Mateus. O apanhado teológico em Lucas é mais completo.

Para nos trazer esta parábola, Lucas, no capítulo anterior 13, no versículo 28, cita a passagem do “choro e ranger de dentes”; em 30, dos “últimos que serão os primeiros”; em 32-33, do Grande Dia; em 34, o lamento de Jesus sobre Jerusalém não aceitar o convite para o Banquete Messiânico. Em Lc 14:1-6 Jesus cura num sábado na casa de um fariseu. E, finalmente, em Lc 14:7-14, somos orientados sobre as “escolhas dos primeiros lugares”. Este conjunto de textos, que nos orientam como uma introdução ‘a parábola, nos mostra o clima de expectativa dos fins dos tempos e a salvação dos eleitos.

Jesus está na casa de um fariseu e um dos convidados lhe diz: “Feliz daquele que sentar ‘a mesa no Reino de Deus”. Jesus lhe responde com a parábola.

O sentido de Lc 13 e 14 reunidos seria, em resumo, assim: Haverá uma reunião. Os fiéis virão dos quatro cantos da Terra. Haverá uma inversão de posições, pois os últimos serão os primeiros. Jerusalém é apresentada como o lugar em que Jesus mais desejava reunir seus fiéis para o Banquete, mas eles recusaram. Muitos que esperam estar ali são rejeitados. A comunhão com Jesus é participação no Banquete Messiânico, sendo isto a confirmação do cumprimento de todas as coisas nos fins dos tempos.

Para que melhor possamos compreender esta parábola, faremos uma comparação de seu sentido material e espiritual, complementando com as informações de hábitos e costumes da época.

COMPARAÇÃO:

MATERIAL

ESPIRITUAL

1. O GRANDE BANQUETE

Fartura, música, alegria.

Comunhão (em comum) com Jesus: pensar e agir como ele.

2. CONVIDOU ‘A MUITOS

Para todos sem restrição.

Convite da Boa Nova: amplo, pleno, generoso e ilimitado.

3. O DUPLO CONVITE

Convite em si e confirmação de presença.

Profetas em primeiro(Is 25:6-9).

Jesus reafirma o convite e vem pessoalmente.

4. VINDE!

Chegada a hora.

Chegados os tempos. Gozem da comunhão.

5. TUDO PRONTO

Carne cozida, mesa posta, o senhor está à mesa.

Da parte de Deus nada está faltando. Na pessoa de Jesus, o Reino de Deus está próximo.

6. AS DESCULPAS

Insulto, desconsideração social. Demonstram o que é mais importante para eles.

Rejeição a tudo o que Jesus representa.

1. As pessoas que escutaram Jesus falar esta parábola estavam bem familiarizadas com o conceito de Banquete.

2. Desde os tempos dos profetas, Israel descrevia a alegria dos tempos messiânicos com a imagem de um Banquete com boas comidas e bebida em abundância. (Is 25:6-9). A parábola é uma releitura do texto de Isaías, confirmando quando Jesus diz: “não vim destruir a Lei e os profetas, mas cumpri-los.”

3. Por outro lado, era costume no Oriente Médio o duplo convite: aquele que irá fornecer o banquete manda convites e recebe a confirmação, para que possa decidir sobre a quantidade de comida e bebida com base no número de convites aceitos. Os convidados que confirmaram tem a obrigação de aparecer, pois um animal é morto e tem que ser consumido.

4. Quando a carne está preparada, o servo é enviado com a tradicional mensagem: Vinde, pois tudo já está preparado!

5. Estamos esperando por você.

6. A hora do banquete chegou. Todos foram informados. O texto diz literalmente que todos recusaram. A Boa Nova nos dá farta provisão para o Espírito. Há suprimento de tudo que se requer para saciar a fome e a sede espiritual. A oferta de pão é para todos. As abordagens eram possíveis, mas sem qualquer urgência, revelando que suas prioridades eram outras.

Façamos uma pausa. Experimente a sensação de oferecer uma ceia ou uma reunião em sua casa, formalizar os convites, chegar a data da festa, preparar a comida, arrumar a casa, aguardar os convidados e ninguém vir. Com certeza experimentamos a angústia da rejeição. Uma sensação de insulto e de que não queremos mais ver qualquer pessoa deste grupo.

Afinal, o que é mais importante para nós? Texto de apoio:

AMBIÇÃO: é tudo o que você pretende fazer da vida, são seus objetivos, seus sonhos. As pessoas costumam ter como ambição ganhar muito dinheiro, se esquecendo de que dinheiro por si só não é objetivo, mas maio para alcançar sua verdadeira ambição. Não há nada de errado em ser ambicioso, por exemplo, ambicionar acabar com a fome do país ou com a corrupção, estes são projetos ambiciosos...

ÉTICA: são os limites que você se impõe na busca de sua ambição, como por exemplo, não roubar, não mentir ou não pisar nos outros.

A maioria dos pais se preocupa bastante quando os filhos não demonstram ambição, mas nem todos se preocupam quando os filhos quebram a ética (colar na prova não faz mal, contanto que passe de ano, que é o objetivo maior).

O problema do mundo é que normalmente decidimos nossa ambição antes de nossa ética. Porque dependendo da ambição fica difícil impor uma ética que frustrará nossos objetivos. Nossa tendência é diminuir nosso rigor ético e não a nossa ambição. Definir cedo o comportamento ético pode ser a tarefa mais importante da vida.

(baseado no artigo de Stephen Kanitz de jan/2001 - www.kanitz.com.br)

Muitas das parábolas tentam nos sinalizar a conduta de Deus que dirige sua boa notícia a todos. Os ricos, os privilegiados, os sábios têm tão alto conceito de si mesmos, estão satisfeitos e seguros, que são eles mesmos que fecham as portas da festa.

COMPARAÇÃO:

MATERIAL

ESPIRITUAL

7. CONVITE AOS PROSCRITOS

Valores externos, imagem, prestígio, influência.

Os últimos serão os primeiros.

8. AINDA HÁ LUGAR

Ainda há tempo de repensar sua postura, seus valores.

Gentios: os que não foram preparados para o Banquete.

9. OBRIGA-OS

Explicação abaixo

Explicação abaixo

10. PARA QUE A MINHA CASA SE ENCHA

Novos convidados, música, alegria.

Não faltam adeptos de boa-vontade.

11. NENHUM DAQUELES QUE FOI CONVIDADO

Não dá para participar ‘a distância

É participação, cooperação, serviço.

12. MEU BANQUETE

O anfitrião

Jesus é o Messias

7. O fato de que Jesus, um homem com grande popularidade a quem o povo via como profeta, estivesse rodeado de pessoas da mais baixa categoria, era um escândalo. Fazer dos pobres de Israel os destinatários da Boa Nova e confiar neles para esta mudança era intolerável. Mas o convite foi feito. A recusa é nossa escolha. O Banquete não será adiado e será realizado sem os convidados originais, que ficarão furiosos, pois “ele come e recebe pecadores”. Mesmo indignado, pois o dono da casa foi insultado publicamente, sua resposta não é de vingança. Ele estende o convite aos proscritos de Israel, numa demonstração de amor no sofrimento, tal como no Filho Pródigo.

8. Agora os chamados são os de fora da cidade. Os judeus, que acreditavam no Deus único e esperavam o Messias, estavam preparados pela Lei e os profetas, a receber a Boa Nova e participar do Banquete. Os de fora são os pagãos, são aqueles que, teoricamente, não estavam preparados para aceitar o convite e compreender a mensagem.

9. OBRIGA-OS no texto nada tem de relação com forçar. O sentido aqui é de que os proscritos e os gentios duvidam de que a graça é estendida a eles, pensando nada ter para dar em retribuição ao dono da casa. Ele não é parente, outros nem são da comunidade. Depois de alguma discussão, o servo tomará o convidado pelo braço e gentilmente o convida a entrar, ou seja, o convite é genuíno.

10. A ocasião pode ser um grande sucesso, mesmo sem a presença dos convidados originais.

11. Aqueles que querem comer pão no Reino de Deus devem apressar-se e aceitar seu convite para a comunhão a mesa, pois não serão capazes de participar ‘a distância.

12. Jesus se identifica como o anfitrião. O Messias de Deus está aqui. O Banquete está pronto e não será cancelado ou adiado. A comunhão com Jesus ‘a mesa é participação no Banquete Messiânico.

Reflexão final:

Esta é uma estória de quatro pessoas. TODO MUNDO, ALGUÉM, QUALQUER UM, NINGUÉM.

Havia um importante trabalho a ser feito e

TODO MUNDO tinha certeza de que ALGUÉM o faria.

QUALQUER UM poderia te-lo feito, mas NINGUÉM fez.

ALGUÉM se zangou porque era um trabalho de TODO MUNDO.

TODO MUNDO pensou que QUALQUER UM poderia faze-lo,

Mas NINGUÉM imaginou que ALGUÉM

ou mesmo TODO MUNDO deixasse de faze-lo.

Ao final, TODO MUNDO culpou ALGUÉM

Quando NINGUÉM fez o que

QUALQUER UM poderia ter feito.

Parábolas de Jesus - ARREPENDIMENTO

OS DOIS DEVEDORES Lc 7:36-50
Um fariseu convidou Jesus a ir comer com ele.
Jesus, entrando na casa dele, tomou lugar à mesa.
E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro cheio de perfume e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e enxugava com os próprios cabelos, e beijava-lhe os pés e os ungia com o perfume.
Ao ver isto, o fariseu que o convidara, disse consigo mesmo: Se este homem fosse profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que o toca, pois é pecadora.
Jesus ao dirigiu-se fariseu e lhe disse: Simão uma coisa tenho a dizer-te. Ele respondeu: Dize-a, Mestre.
Um credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinqüenta. Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos a sua dívida.
Qual deles, portanto, o amará mais? Simão respondeu: Suponho que aquele a quem ele mais perdoou. Jesus replicou-lhe: Julgaste bem.
E voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para lavar os pés; esta, porém, regou-me os pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos.
Não me deste ósculo; ela, entretanto desde que entrou não cessa de me beijar os pés.
Não me ungiste a cabeça com óleo; mas esta, com perfume, ungiu os meus pés.
Por isso te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela tem demonstrado muito amor. Mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama.
Então disse a mulher: Perdoados são os teus pecados.
Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer, então: Quem é este homem que até perdoa pecados?
Mas Jesus disse à mulher: A tua fé te salvou; vai em paz.

Uma parábola curta encaixada no centro de um diálogo teológico muito bem construído, provavelmente, por Lucas.
1º MOMENTO: Para estudarmos esta parábola iremos analisar através do SENTIMENTO dos três personagens envolvidos e como este sentimento se modifica a cada nova situação que surge.
Nas três primeiras frases somos apresentados aos personagens que compõem a parábola: Simão, o fariseu, Jesus e a mulher pecadora.

“Um fariseu convidou Jesus”: Simão (sabemos o seu nome, pois Jesus irá se dirigir ‘a ele nominalmente) convida Jesus para uma refeição e o recebe em sua casa no meio a outros tantos fariseus. O jantar seria uma boa ocasião para se observar de perto Jesus, já então muito comentado e discutido nas classes religiosas.

Como tradição no Oriente Médio, receber hóspedes é público. O portão do jardim e a porta da casa estão abertos, permitindo que os habitantes da comunidade circulem, sem serem considerados intrusos. Uma mesa longa e baixa é disposta ao longo do centro da sala, divãs baixos colocados de ambos os lados, nos quais os hóspedes colocados segundo a ordem de sua posição, reclinam-se apoiados no cotovelo esquerdo, mantendo os pés afastados da mesa. Ao chegar todos tiram as sandálias ou chinelos e os deixam ‘a porta. Os servos ficam de pé por detrás dos divãs e, colocando uma bacia rasa e larga no chão, derramam água sobre os pés dos hóspedes. Omitir esta cortesia seria dar a entender que o visitante era de posição social inferior.

“Jesus, entrando na casa dele, tomou lugar à mesa”: Os fariseus são meticulosos na observância dessas normas sociais e religiosas, o que indica que Simão já tinha um conceito formulado sobre Jesus, omitindo-lhe o ritual ao recebê-lo como hóspede. Além de não oferecer a água para os pés, Jesus não recebe o beijo de saudação, o que significa desprezo.

“E eis que uma mulher da cidade, pecadora”: Ela é da cidade, faz parte da comunidade, então Simão e os demais a conhecem. É pecadora, exerce a sua profissão ou ação que a classifica como tal. Podemos imaginar que a mulher já se encontrava na casa ou entrou junto com Jesus, pois já sabemos que era permitido assistir a estes banquetes. Seria uma oportunidade de reencontrá-lo ou conhece-lo. Ela devia saber ou ter ouvido falar sobre Jesus, aquele que proclamava o amor de Deus pelos pecadores. Desejava manifestar gratidão, de estar em companhia daquele que não a exclui e a olha nos olhos, que lhe dirige a palavra.

“sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu “: Estando na casa a espera de Jesus, sabia para onde ele se dirigiu depois que entrou na casa. E, desta forma, ela foi testemunha do insulto cruel.

Que sentimentos, emoções e atitudes envolveram os personagens até então?

SIMÃO: Astúcia, sarcasmo, provocação, má-intenção, superioridade.
JESUS: Calma, certeza e segurança.
MULHER: Expectativa, ansiedade, esperança para Jesus; Surpresa e indignação para Simão.


2º MOMENTO: A verdadeira intenção de Simão é revelada. Todos ficam desconfortáveis, a expectativa é grande e aguardam uma resposta, um revide de Jesus. Se fossemos nós, responderíamos com nossa indignação, nos sentiríamos ofendidos, provavelmente nos retiraríamos, por termos sido humilhados e envergonhados. Jesus não se ofende, conhece a verdadeira natureza daquele homem que está a sua frente e não se surpreende. Vencida pela emoção, a fé que move montanhas, a mulher esquece que está num meio hostil, que poderia ser apedrejada e jogada moribunda para fora, e se lança aos pés de Jesus. Na casa do fariseu, uma mulher age: “chorando, regava-os com suas lágrimas e enxugava com os próprios cabelos, e beijava-lhe os pés e os ungia com o perfume.“ Enquanto uns zombam de Jesus, ela está ansiosa para mostrar a mais profunda devoção. Ela tenta compensar o insulto e mau-trato que Jesus recebera.

SIMÃO: Surpresa, raiva, frustração.
JESUS: Calma, certeza e segurança. Observação.
MULHER: Sinceridade, arrependimento. Gratidão, amor.

Não há diálogo, a ação dispensa palavras. O drama é tão natural e espontâneo, que não há tempo de uma reação de Simão. Mas, o que ele havia planejado (humilhação, descaso, insulto) não está saindo como ele queria. Ele precisa retomar o controle da situação. Não quer aproveitar os gestos da mulher e corrigir seu comportamento, atenuando o constrangimento de todos.

SIMÃO: Orgulho, presunção, falsidade. Julgamento.
JESUS: Calma, certeza e segurança. Observação.
MULHER: Calma, conforto. Amor e agradecimento intenso.

3º MOMENTO: “Ao ver isto, o fariseu que o convidara, disse consigo mesmo: Se este homem fosse profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que o toca, pois é pecadora“: Simão julga erradamente, sua certeza pessoal o leva a observar a cena com o rigor de hábito. Simão é o crítico de Jesus ao duvidar de sua capacidade de profeta. Tudo o que ele vê é uma mulher imoral que com seu toque está contaminando um hóspede. Ele rejeita a restauração da mulher e ela vai continuar sendo rejeitada pela comunidade.

SIMÃO: Indiferença, hipocrisia, orgulho. Cegueira espiritual. Machismo. Hostilidade. Arrogância. Insensibilidade.

JESUS :
Calma, segurança.
MULHER: Amor e agradecimento intenso.

Simão indiretamente confessa que fracassara como hospedeiro, dirigindo-se a Jesus pelo título de profeta. Se ele é digno do título, também é digno da honra que o título lhe confere.

4º MOMENTO: “Jesus ao dirigiu-se fariseu” e “uma coisa tenho a dizer-te”: Jesus quebra o silêncio dirigindo-se ao fariseu e não ‘a mulher. Mas não faz nenhuma repreensão. Como resposta, conta a parábola. Um jogo de palavras para comparar e estabelecer o contraste presenciado até então: ambos são pecadores, um ama e outro não.
Na parábola, os dois devedores são nivelados em sua necessidade e, mesmo assim, nenhum é capaz de pagar. A mesma graça é estendida a ambos.
”Qual deles o amará mais?“: Simão encurralado com uma pergunta, no método típico aplicado por Jesus, obrigando-o ao raciocínio, não podendo negar a resposta lógica pela simplicidade da parábola e chegando ‘a conclusão conduzida por Jesus.

SIMÃO: Orgulho, soberba, desdém. Surpresa.
JESUS: Calma, segurança. Lógica de raciocínio, clareza, foco.
MULHER: Alegria. Calma. Gratidão.

O médico e dois enfermos. Simão, orgulhoso, exagerava a força de sua saúde. Não se via como um devedor. Um homem que se vê como modelo de moral e que não consegue lidar com amor com aqueles que considera como fracassados. A mulher, sinceramente arrependida, entendendo a seriedade de seu fracasso moral e se permitindo outra chance. Nada pediu e muito recebeu.

5º MOMENTO: “E voltando-se para a mulher, disse a Simão”: se dirige ‘a Simão enquanto fala, mas olha para mulher. Desta forma, as palavras são de louvor ‘a ela. Se Jesus estivesse olhando para Simão pensaríamos num tom de dura acusação.

SIMÃO: Frustração. Raiva. Vergonha.
JESUS: Calma, segurança. Lógica de raciocínio, clareza.
MULHER: Surpresa. Alívio. Alegria.

Coloca em palavras toda a ação da mulher, reforçando seus atos de entrega, bondade e valor.

6º MOMENTO: aplicação da parábola na frase “Vês esta mulher?” Simão, embora olhasse o tempo todo, nada via. Não se mede a situação real de um homem somente pelos pecados, muito ou pouco, que tenha cometido. Um fariseu que não sabe amar, rígido e sem vibração. Uma mulher pecadora que, quando direciona seu sentimento para o certo, é capaz de amar plenamente ao descobrir o valor do que amam.

SIMÃO: Indignação. Surpresa.
JESUS: Calma, segurança.
MULHER:Caridade. Amor.

Um homem e uma mulher são comparados e a mulher é o caráter nobre, a despeito do que todos pensam dela e da elevada conta que se tem de um fariseu.

7º MOMENTO: “perdoados lhe são os seus muitos pecados”: o grande amor dela prova que seus pecados foram perdoados. Jesus está indicando que aquela mulher não é uma pecadora impura, mas uma mulher perdoada que sabe a extensão da sua má vida e conhece a graça de Deus.
“aquele que pouco ama” como se Jesus lhe dissesse: Simão você tem muitos pecados e não reconhece a existência ou possibilidade deles. Desta forma, você não se arrependeu. Assim, você foi perdoado pouco.

SIMÃO: Indignação. Surpresa. Dureza de coração.
JESUS: Calma, segurança.
MULHER: Amor.

Aquele que tem muitos pecados experimenta um profundo arrependimento, seguido de um sincero amor a Deus. Aquele que tem poucos pecados se orgulha de sua retidão e pensa que tem pequena necessidade de perdão, pouco ama a Deus. Pouco se conecta. Não cria o ambiente para oração. Os pecadores como a mulher muitas vezes sabe que são pecadores. Os pecadores como Simão muitas vezes não o sabem. Por isso, o arrependimento é mais difícil para o “justo”.

8º MOMENTO: “Então disse a mulher: Perdoados são os teus pecados. Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer, então: Quem é este homem que até perdoa pecados?”: Jesus aparece como o único agente de Deus e através de quem Deus anuncia perdão.

SIMÃO: Indignação. Surpresa. Dureza de coração.
JESUS: Calma, segurança.
MULHER: Amor. Gratidão. Conforto. Esperança. Certeza.

9º MOMENTO: “Jesus disse à mulher: A tua fé te salvou; vai em paz”: não as tuas obras, mas a tua fé. A mulher é despedida na presença dos que a desprezam na paz de reconciliação de um Pai amoroso.

SIMÃO: -
JESUS:
Paz.
MULHER: Paz.

O sentimento de Simão fica em aberto. Será que ele se permitiu um novo entendimento? Será que ele permaneceu preso a preconceitos? Será que ele se permitiu sentir esta paz?

Parábolas de Jesus - JUSTIÇA

FARISEU e o PUBLICANO Lc 18:9-14

E ele contou esta parábola para certas pessoas que se consideravam justa e desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo, para orar; um era fariseu, e o outro, coletor de impostos.

O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem mesmo como este coletor de impostos. Jejuo duas vezes na semana, e dou o dízimo de tudo quanto possuo.

O coletor de impostos, porém, estando em pé, de longe, nem ousava levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus tem misericórdia de mim, um pecador!

Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa, e não aquele outro; pois todo o que se exalta será humilhado, e aquele que se humilha será exaltado.

Esta é contada imediatamente após a parábola do JUIZ e a VIÚVA, em que se fala da qualidade da fé. A parábola está inserida no Evangelho de Lucas juntamente com outros temas que tratam da oração, mas Lucas acrescenta uma introdução para nos informar que o tema principal da parábola é justiça. Jesus percebendo que as pessoas que ficavam ao seu redor confiavam mais na sua própria justiça do que na misericórdia de Deus. Não se deve ignorar esta introdução.

Pelo título, somos apresentados a dois personagens: um fariseu e um publicano, e por isso mesmo, num 1º MOMENTO iremos listar aspectos positivos e negativos destes dois e, assim, melhor conhecê-los.

FARISEU: quem é?

- acreditavam na ressurreição, na vida eterna, o que os possibilita compreenderem os ensinos de Jesus acerca da vida espiritual.

- cumpriam as normas, seguiam rigidamente a Lei de Moisés, guardavam zelo pelas tradições teológicas, cumpriam os rituais para o culto, ostentavam devoção e fervor.

- em Lc 13:31 um grupo de fariseus adverte Jesus das intenções de Herodes.

-em At 15:5 a conversão de um grupo de Fariseus para o cristianismo primitivo

- Paulo, um dos maiores apóstolos e divulgadores da Boa Nova, era originário do grupo de religioso dos fariseus. Soube redirecionar sua cultura e conhecimento a uma nova mentalidade. Paulo reconhece: “o saber envaidece, mas o amor edifica.” (1 Co 8 1b), mostrando que o que faltava era o amor ao próximo aliado ao conhecimento de que os fariseus tinham tanto orgulho.

- Mt 23 Jesus os chama de sepulcros caiados: por fora belos, mas na verdade ocultando costumes dissolutos, mesquinhez, secura do coração e, sobretudo, orgulho.

- em várias ocasiões foram chamados de hipócritas por Jesus: homens cultos e conhecedores das Escrituras, mas ao invés desta erudição leva-los ‘a verdade, a maior parte deles seguia por caminhos equivocados.

PUBLICANO: quem é?

- arrecadadores de impostos públicos exigidos pelos romanos.

- considerados pelos de sua própria raça como traidores (por trabalharem para Roma), ladrões (por tomarem parte da arrecadação) e impuros (por transformarem a cobrança de impostos em uma questão religiosa, encarando-a contrária ‘a lei).

- solitários e desprezados por todos

- Zaqueu e Mateus e suas histórias pessoais são bons exemplos de redirecionamento de mentalidade.

2º MOMENTO: leitura da parábola.

“Dois homens subiram ao templo”: é uma parábola acerca da adoração pública com orações individuais. O fariseu e o publicano foram ao Templo para orar, mas a motivação de cada um era diferente.

Os discípulos de Jesus cresceram numa cultura que dava grande importância ‘a oração. Conheciam de cor algumas orações, viram seus pais e familiares orar e, nas sinagogas e praças, com certeza já tinham ouvido os fariseus orando. Mas quando ouviram Jesus orar, perceberam uma nova possibilidade de comunicação com Deus, ao ponto de lhe pedirem: “Sr, ensina-nos a orar.” (vide parábola do Amigo Importuno)

“O fariseu, estando em pé, orava consigo” e “O coletor de impostos, porém, estando em pé, de longe”: os dois desejando ficar fisicamente afastados. Para o fariseu era uma declaração de sua importância, isolado para não ser contaminado pelos injustos que estavam ao seu redor. Para o coletor de impostos não havia desejo de ser ouvido por ninguém a não ser Deus, afastado do grupo, não por indiferença, mas por não se achar digno de se colocar junto com o povo de Deus próximo ao altar.

“fariseu orava consigo desta maneira” e “publicano nem ousava levantar os olhos ao céu”: o primeiro está preocupado em lembrar-se de suas virtudes, confia apenas em si mesmo e acha que nem precisa de Deus ‘a escuta-lo. O segundo está plenamente consciente de sua posição em relação a Deus, em humildade extrema, na vergonha de si mesmo e tocado pelo arrependimento.

3º MOMENTO: O texto da oração

O fariseu usa o pronome eu quatro vezes; declara sua própria justiça alcançada pelos seus esforços e feitos; não há reverência a Deus ou agradecimento, nem humildade ou confissão de pecados. Ora em voz alta para que os demais o escutem, oferecendo-lhes desta forma, instruções sobre justiça, sendo juiz de si mesmo e dos outros. Revela bastante de sua personalidade pelas palavras que declama em uma auto-propaganda e ostentação, onde se congratula consigo mesmo. Usa a oração para acusar publicamente o coletor de impostos e lhe faz críticas através de sua lista preconcebida de julgamento e estereótipos. Vangloria-se não apenas de ter guardado a Lei, mas de ter excedido as suas exigências, se comparando aos grandes exemplos da história de Israel, como Moisés e os profetas, pois ele é tão bom que jejua duas vezes por semana, ao invés de duas vezes ao ano como todos e oferece o dízimo sobre tudo o que possui, e não apenas sobre as mercadorias convencionadas pela lei.

O publicano reconhece-se como pecador em busca de perdão, demonstra o reconhecimento da misericórdia de Deus numa oração curta e simples, verdadeira e honesta. Quando começa sua petição, bate no peito. Esta ação dramática é postura típica de mulheres e somente em outra ocasião será mencionada: após a crucificação, em Lc 23:48, “toda a multidão vai para casa batendo no peito”, demonstrando a magnitude da dor para homens usarem este gesto junto ‘a mulheres. O publicano bate no peito revelando seu remorso, anseia pelos benefícios de uma expiação, clama com arrependimento e esperança.

4º MOMENTO: leitura da fábula sobre o que aconteceu ao término da oração dos dois personagens.

Quando o Fariseu terminou a sua oração, meteu a mão no bolso e com aparato tirou uma moeda de ouro que deixou cair com barulho, na caixa das esmolas. Voltou-se para sair do templo e reparou que o Publicano de cabeça baixa mexia num saco de pano, de onde tirou uma pequena moeda, que com delicadeza depositou na caixa das esmolas.
O Fariseu saiu então do templo e ficou a aguardar o Publicano.
Quando este saiu, humilde e contrito, o Fariseu perguntou-lhe com um ar importante:
- Quanto deste, ali no templo?
O Publicano com a cabeça baixa, respondeu:
- Dei tudo quanto aqui tinha. Tudo o que tenho me veio do Senhor e Ele nunca me falta com o indispensável à minha vida.
Levantando a cabeça, fitou o Fariseu com uns olhos límpidos e calmos, com um sorriso alegre e tranquilo, e dizendo-lhe:
- A paz do Senhor esteja contigo! Afastou-se, caminhando.

Num primeiro momento, surpreso, o Fariseu reparou na paz e tranqüilidade que emanava daquele homem, na sinceridade com que lhe tinha falado e na leveza do andar, parecendo que quase não tocava o chão. No entanto, rapidamente se refez, não se deixou comover e pensando para si próprio, disse em voz alta:
- Coitado, pobre homem inculto. Não sabe que eu como sou, praticando a lei rigorosamente, tenho sempre a paz do Senhor comigo.
Começou então a andar no caminho para sua casa, cabeça erguida, sem dar atenção àqueles que na rua pediam, que o cumprimentavam, que lhe sorriam.

Mas agora algo o inquietava. Alguma coisa penetrara seu coração e não tinha mais certeza de nada. Nunca na sua vida, pensou, tinha conseguido ter tal olhar, tal sorriso ou apresentar aquela paz, aquela tranquilidade, aquele amor.
Parou e sentou-se à beira do caminho, pensando sobre o ocorrido.
De repente, tocaram-lhe no ombro e ao levantar os olhos, deparou com o Publicano mais uma vez, que com uma voz doce lhe perguntava:
- Sente-se mal, precisa de ajuda, posso fazer alguma coisa por ti?

Mal refeito da surpresa, agradeceu e disse que não, não precisava de nada. Mas neste momento havia recebido resposta à sua inquietação. Levantou-se e começou a caminhar de volta ao templo. Pelo caminho, mostrou-se diferente. A um pobre homem quase sem roupa, deixou a sua túnica, e ainda lhe perguntou: - Sente-se mal, precisa de ajuda, posso fazer alguma coisa por ti? A outro que tinha fome, deixou as moedas que levava, e também lhe perguntou: - Sente-se mal, precisa de ajuda, posso fazer alguma coisa por ti? A um que estava descalço, deixou as suas sandálias, a uma mãe com filhos famintos, como não tinha mais nada com ele, deixou os seus anéis e colares, sempre indagando: - Sente-se mal, precisa de ajuda, posso fazer alguma coisa por ti?

Na porta do templo, parou, mas não entrou. Ficou ali mesmo, baixou a cabeça e disse:
- Perdoa-me, meu Deus, que nada sou. Não sou nem digno de entrar no Teu templo, como o Publicano, porque sou maior pecador. Acredito na Tua misericórdia e sei que me perdoarás, por isso Te peço que me ajude a mudar de vida, pois também eu reconheço agora, que tudo o que tenho, me vem de Ti e a Ti pertence e que me deste não só para mim, mas também para ajudar os que precisam. A Ti, Senhor, confio a minha vida, pois sei que contigo nada me faltarás.

Silenciou e aguardou uns instantes. Levantou-se e sentiu imediatamente que estava diferente, percebendo e deixando-se envolver por uma paz e tranquilidade, que nunca tinha experimentado. Agradecido a Deus, regressou para casa, espalhando alegria e paz pelo caminho e ao chegar, deu a Boa Nova a todos os seus.

No Céu a alegria era imensa e o Pai disse a Jesus:

- Foi boa idéia, Meu Filho, te teres feito passar por Publicano. Salvaste mais um homem.

5º MOMENTO: reflexo de nossas escolhas ainda farisaicas é feito a leitura de reportagens retiradas da mídia em geral sobre: nossa tendência de usarmos máscaras e vernizes, escondendo nossa personalidade. Valores que escolhemos e ensinamos aos nossos filhos, onde aplaudimos as aparências. Prioridades refletidas na busca de uma boa situação financeira, ao invés da formação moral. Nós e nossos próximos sendo atendidos na satisfação de caprichos e vaidades, contrários ao exemplo e a renúncia.

Do mesmo modo, na mídia também encontramos bons exemplos de pessoas já despertas que, indo na contramão da maioria, usam de seus talentos e dons para o crescimento da humanidade.

6º MOMENTO: de volta a parábola, vamos perceber que o coletor de impostos alcança a sua petição. Agora os dois descem do Templo, mas o coletor de impostos é mencionado em primeiro lugar. O fariseu se impressionou com seus feitos, cumpriu sua responsabilidade e, sob sua ótica, fez muito bem, não precisando que Deus fizesse algo por ele. Ele justifica a si mesmo. O publicano saiu justificado por Deus, demonstrando as qualidades da verdadeira grandeza, cobrando de si mesmo, fazendo autocrítica e iniciando desta forma, o processo de reparação.

O provérbio de Jesus dá a finalização ‘a parábola: focaliza seu principal tópico, a justiça. No ESE, encontramos o exame da questão no capítulo 7, Bem Aventurados os pobres de espírito, itens 3,4,5 e 6. No LE, questões 893, 895 e 896.

7º MOMENTO: finalização com leitura do texto.

Vagas no Reino de Deus

Chegou às minhas mãos um documento confidencial. É uma circular interna do Céu que descreve o perfil das pessoas que Deus procura para encarnarem os valores do seu Reino na terra.

“Procuram-se mulheres e homens que não vivam escravizados pelas mesmas obsessões que dominam as pessoas: riqueza, fama e poder.

Serão dispensados aqueles que correm alucinados, sempre perguntando: ‘Que comeremos, que beberemos? Ou: com que nos vestiremos?’.

Não serão recebidos currículos de quem gosta dos lugares de honra, e de posar ao lado de pessoas consideradas importantes. Nenhum entrevistado pode vangloriar-se de seus feitos. Sugere-se que seja considerado apenas o que se enleva com a grandeza das galáxias ou com a fragilidade das margaridas. O candidato pré-aprovado deve estagiar em algum deserto e será despedido sumariamente aquele que não souber ouvir a voz dos ventos mais delicados, não se extasiar com o pôr-do-sol que colore o céu de vermelho e não se calar diante das constelações que enfeitam as noites escuras com seus diamantes.

Para ocupar a posição de apóstolo, só se admitirá o que abrir mão deste título; será reprovado o candidato que afirmar, em algum ponto da entrevista, que se sente honrado com a possibilidade de continuar com a missão apostólica. O entrevistado precisará revelar discrição e total desinteresse para com os louvores humanos. Não será admitido, em hipótese alguma, qualquer um que, mesmo de relance, demonstre estar cogitando um projeto próprio. Está desqualificado o que insinuar, até inconscientemente, que gosta de dinheiro. Será desprezado quem se esforçar para mostrar uma espiritualidade mais intensa que a maioria das pessoas.

Há grande necessidade de profeta, mas se exigirá um rigor maior no preenchimento dessa posição. O profeta será testado em sua capacidade de sentir o coração de Deus. Numa primeira avaliação, o candidato será levado a conviver com os sofrimentos mais cruciantes da humanidade. Será despedido sumariamente aquele que oferecer explicações teológicas para a dor universal. Antes, requer-se que o profeta saiba deitar seu ouvido no coração de Deus e sinta seus anseios e vibrações pela raça humana. Reprove-se o que não verter lágrimas; não soluçar com a morte desnecessária de crianças; não se indignar com a volúpia dos que acumulam fortunas, não protestar contra a indiferença dos confortáveis; e não lutar contra os preconceitos racial, cultural e de gênero.

O candidato à evangelista deverá preencher os seguintes critérios:

1) Amar as pessoas, mais do que seu ofício. Portanto, é bom observar como reage ao sucesso ou ao fracasso. Será reprovado todo aquele que demonstrar extrema alegria pelo bom desempenho de alguma empreitada. Será descartado, igualmente, o que se entristecer com o baixo rendimento de seus esforços. Somente estará apto para o ofício de evangelista quem aprender a amar, mesmo quando as pessoas resistem à sua mensagem. Ser fiel é mais importante que bem sucedido.

2) Não se aceitará o orador empolado, que repita clichês, ou que maltrate o bom senso das pessoas com frases prontas. Quem fizer promessas irreais, responder ao drama humano com simplismos; se usar a mensagem do Evangelho com o intento de subornar ou coagir o amor das pessoas, será desconsiderado.

3) Terá desclassificação imediata, quem fizer convite de conversão, apelando para as emoções. A entrevista qualificatória deve terminar no instante em que se perceber que o candidato à evangelista gosta de manipular e sensibilizar as pessoas com choros e frenesis.

Há vaga para pastor. Contudo, não se deve apressar o preenchimento dessa função. Só será admitido, candidato que já tenha caminhado extensamente com o povo. É bom que conheça todo espectro social e saiba transitar entre ricos e pobres; doentes crônicos e atletas profissionais; patrões e empregados. Como os pastores não podem viver trancados em gabinetes, é de bom alvitre que se avalie como se comporta quando prega para grandes auditórios, e como trata indivíduos. O que demonstrar maior traquejo com multidões, mas evita o contato pessoal, será repudiado. Todo pastor precisa caminhar de mãos dadas com famílias enlutadas; precisa saber esperar pela notícia de morte ao lado das ovelhas que choram no corredor da UTI; precisa conversar pacientemente com os jovens que lutam com sua sexualidade; e precisa abraçar carinhosamente os idosos.

Existe uma grande necessidade de mestre. Mas, para essa função, o candidato precisa apresentar seu currículo acadêmico, que será analisado de acordo com a capacidade e oportunidades de cada um. Contudo, o futuro mestre não pode valorizar exageradamente a letra a ponto de matar o espírito dos textos. Ele deve revelar disposição de defender a verdade, principalmente quando ela estiver a serviço da vida. Será desclassificado

aqueles que, na defesa de suas convicções, demonstrar descaso existencial. Deve-se pedir que cada candidato escreva ressonâncias a poesias, pintura ou música; deverão ficar de fora, os que mostrarem rigor exagerado na análise técnica da obra. Não serve para essa função o que perde a beleza subjetiva, aquela que só se percebe com o coração. Quando o entrevistado comentar que domina um determinado assunto, ficará sob suspeição até o final da entrevista. A título de exercício, em cada argumentação do futuro mestre, é mister que haja contestação com pressupostos diferentes. Caso se mostre intolerante, ou não ceda na arrogância de seu conhecimento, será reprovado”.