sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Parábolas de Jesus - FÉ e SERVIÇO

SERVOS INÚTEIS Lc 17:7-10

Qual de vós, tendo um servo a lavrar ou a apascentar gado, lhe dirá, ao voltar ele do campo: chega-te já, e reclina-te à mesa?

Não lhe dirá antes: Prepara-me a ceia, e cinge-te, e serve-me, até que eu tenha comido e bebido, e depois comerás tu e beberás?

Porventura agradecerá ao servo, porque este fez o que lhe foi mandado?

Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer.


Lucas introduz esta parábola com o pedido dos discípulos: ”Aumenta-nos a fé.” Lc 17:5 E Jesus responde: “Se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda...” Lc 17:6

Observando Jesus há algum tempo, os discípulos testemunham a sua tenacidade, força de vontade, determinação, que se mantém inabalada, mesmo diante das provocações e do desdém de muitos. Acreditando que através da fé teriam esta segurança, então lhe pedem: “Aumenta nossa fidelidade, nossa sintonia com o mundo espiritual.” Reforçando sua resposta, Jesus lhes fala a parábola. Eles pensavam que precisavam de mais fé para aprender a servir como Jesus, fazendo na realidade uma inversão de necessidades, pois se não sabemos nem servir, como podemos ter nossa fé aumentada?


1º MOMENTO: O QUE É A FÉ?

Como sinônimo de FIDELIDADE é a confiança em si mesmo, quando você é capaz de realizações que parecem impossíveis. O oposto é aquele que acredita na sorte, conta com a “maré”, a posição das estrelas e, portanto, na maioria das vezes desanima e não persevera.

Como CRENÇA, é uma convicção íntima, está associada a uma religião e tem como objetivo nos tornar melhores e nos encaminhar para Deus. É o oposto do fanatismo, que cega e anula convicções.

Significando DESEJO, traduz nossa esperança em alguma coisa. Gostamos de dizer: “Tenho fé que isto vai acontecer”.

A Fé como Jesus a sentia é a fé PURA e CRISTALINA, independente de crenças, de modismos, é segurança absoluta no amor, justiça e misericórdia de Deus. Esta não se impõe e tampouco é um dom. É a mais sublime, mas também a mais difícil.

RACIOCINADA faz uso da lógica, da observação dos fatos. Compreendemos o que sentimos e, por isso mesmo, nos aproximamos de Deus. A Doutrina dos Espíritos é baseada nesta fé e traz respostas a uma série de inquietações que o homem tem.

Se agora conseguimos compreender um pouco mais sobre a fé, como se faz para aumentá-la? Assim como os discípulos, sentimos a necessidade de ter uma grande fé, aquela que nada nos altera ou tira a nossa determinação, tornando-nos capazes de transportar montanhas.

A fé, como tudo o mais, é dinâmica, desenvolvida e também se aperfeiçoa. É uma virtude, e como tal, deve ser aprendida através de múltiplas experiências. Para ser fortalecida e aumentada, deve se apoiar em atos de benevolência, em devotamento ao próximo, em renúncia pessoal a favor dos outros. A fé, como Jesus a sentia, significa doação e serviço, que cresce na proporção direta da libertação de qualquer espírito mercenário.

Emmanuel nos diz, em Palavras de Vida Eterna, sob o título Êxito, c.64, que “o homem se preocupa em ganhar para fazer, ao invés de fazer para ganhar”. Mais uma vez somos lembrados de que invertemos nossas necessidades, esquecendo como agia nosso melhor exemplo: Jesus.

Já que só entendemos as coisas a partir de ganhos, pensemos que a fé é o salário dos bons obreiros. Como reivindicamos no mundo melhores salários? Cumprindo primeiro os deveres, com empenho e eficiência. Do mesmo modo, para recebermos o salário da alma, devemos primeiramente cumprir nossos deveres de cristãos, com boa-vontade e empenho. Comparando mais uma vez com nossa atitude no mundo, quando queremos maiores salários, nos desdobramos em horas-extras, fazemos cursos de especialização, damos o melhor de nós, executamos as ordens com determinação, queremos ser o mais produtivo e sermos notados. Para que a nossa fé aumente devemos ter esta mesma dedicação. Somos todos trabalhadores da obra de beneficiamento e aperfeiçoamento do planeta, em regime de tempo integral, dedicados e interessados, alegres e constantes, sabendo que os ganhos revertem a nós mesmos, pela multiplicidade das existências.


2º MOMENTO: Na parábola, Jesus fala do servo. A relação entre senhor e escravo subentende a aceitação de autoridade e obediência. No Oriente Médio, onde as relações se baseiam em lealdade e honra, os benefícios para aquele que serve com empenho, são enormes. Jesus, mais uma vez, está falando sobre costumes e padrões de comportamentos bem conhecidos e aceitos. Este tipo de relacionamento entre senhor e servo foi criado pelos homens, não por Jesus. A parábola não traz um novo tipo de relacionamento, tampouco Jesus desvaloriza o servo. São colocadas ali as expectativas normais das tarefas de um dia. O servo cumpre as suas obrigações no campo e, ao voltar, antes de se alimentar e descansar deve servir ao seu senhor, como é de direito a este senhor.

Ao falar: “Porventura agradecerá”, mais uma vez Jesus está mostrando que obrigações devem ser cumpridas entre aqueles que estabelecem relacionamentos. Não há necessidade de agradecimentos por se cumprirem tarefas das quais se tem obrigação de fazer. O servo não espera por honras especiais por cumprir aquilo que lhe foi ordenado.

Nossa idéia de servidão é a do homem amarrado ao tronco, sendo chicoteado, as costas feridas, maltratado e desnutrido. Alguém explorado e obrigado a trabalhar arduamente. Foi desta forma que escravizamos os negros africanos. E por isso temos dificuldade em compreender a colocação de Jesus nesta parábola.


3º MOMENTO: O QUE É SERVIÇO COM JESUS?

Neste momento da vida de Jesus entre nós, as pessoas já o conheciam, haviam estado com ele, sua presença é desejada, ele era visto como o profeta que realiza coisas que nenhum outro era capaz. Os discípulos estão empenhados em segui-lo e em aplicar seus ensinos. Como em qualquer grupo que se relaciona, começam a haver disputas de liderança e prestígio. Convivendo intimamente todos os dias, os conflitos surgiram e, por isso, experimentavam ambições, suspeitas, desconfianças e mentiras entre eles. Isto era natural ao reunir gente tão diferente. Essas crises permitem ao grupo se conhecer melhor se encaradas como aprimoramento de possibilidades e limitações. Jesus está dizendo: “não deve haver nenhum privilégio, nenhuma opressão de uns sobre os outros, nenhuma diferença baseada em maior inteligência, habilidade ou qualquer outra razão”. Ele é exigente em que ninguém queira se colocar acima de ninguém.


Texto de apoio: adaptação de A MÁQUINA DE ESCREVER, do livro A luz que dissipa trevas, p. 53

Apxsar da minha máquina dx xscrxvxr sxr um modxlo antigo, funciona bxm, com xxcessão dx uma txcla. Há 42 txclas qux funcionam bxm mxnos uma, x isso faz uma grandx digxrxnça.

‘As vxzxs nós parxcxmos com a máquina dx escrxvxr, ondx nxm todos sx comportam como dxvxriam x achando qux sua ausxncia não fará falta. Vocx dirá: “Afinal, sou apxnas mais uma pxça sxm xxprxssão x, por isso, não farxei difxrxnça x falta ‘a tarxfa”.

Xntrxtanto para uma coisa progrxdir dx manxira xficixnte, prxcisa da participação ativa x conscixntx dx sxus intxgrantxs.

Na próxima vxz qux vocx pxnsar qux não prxcisam dx vocx, lxmbrx-sx dxsta máquina dx xscrxvxr x diga a si mxsmo: “xu sou pxça importantx no grupo x mxus amigos prxcisam dx mxus trabalhos x partipação.

Pronto! Consertei a máquina de escrever!


Todos nós temos coisas a fazer. Todos os que estão conscientes das tarefas que lhes foram oferecidas e das obrigações que assumiram fazem a sua parte.

O trabalho será executado mesmo sem você. Mas, algumas vezes sem a sua participação, este trabalho terá um resultado diferente e até mais demorado. O que diferencia um bom empregado é a capacidade de compreender o seu papel. Conforme o dom e a capacidade pessoal, cada um compreenda o que é preciso fazer.

Qualquer empresa tem ordens definidas para seus empregados. Algumas ordens são de alcance geral valendo para todos. Outras são específicas de cada função e dentro da mesma função pode variar segundo cada funcionário.


Texto de apoio: SOMOS CHAMADOS A SERVIR, do livro Alvorada Cristã, c.44, de Neio Lúcio, psicografia de Chico Xavier.

O legislador, com a pena, traça decretos para reger o povo.

O escritor utiliza o mesmo instrumento e escreve livros que renovam o pensamento do mundo.

Mas, não é só a pena que, manejada pelo homem, consegue expressar a sabedoria, a arte e a beleza, dentro da vida.

Uma vassoura simples faz a alegria da lim­peza e, sem limpeza, o administrador ou o poeta não conseguem trabalhar.

O arado arroteia o solo e traça linhas das quais transbordarão o milho, o arroz, a batata e o trigo, enchendo os celeiros.

A enxada grava sulcos abençoados no chão, a fim de que a sementeira progrida.

A plaina corrige a madeira bruta, coope­rando na construção do lar.

A janela é um poema silencioso a comuni­car-nos com a natureza externa; o leito é um santuário horizontal, convidando ao descanso.

O malho toma o ferro e transforma-o em utilidades preciosas.

O prato recolhe o alimento e nos sugere a Caridade.

O moinho recebe os grãos e converte-os no milagre da farinha.

O barro desprezível, nas mãos operosas ao oleiro, em breve surge metamorfoseado em vaso precioso.

Todos os instrumentos de trabalho no mun­do, tanto quanto a pena, concretizam os ideais superiores, as aspirações de serviço e os impulsos nobres da alma.

Ninguém suponha que, perante Deus, os grandes homens sejam sômente aqueles que usam a autoridade intelectual manifestada. Quando os políticos orientam e governam, é o tecelão quem lhes agasalha o corpo. Se os juizes se congregam nas mesas de paz e justiça, são os lavradores quem lhes ofertam recurso ao jantar.

Louvemos, pois, a Divina Inteligência que dirige os serviços do mundo!

Se cada árvore produz, segundo a Sua espe­cialidade a benefício da Prosperidade comum, lembremo-nos de que Somos todos chamados a servir na obra do Senhor, de maneira diferente

Cada trabalhador em seu campo seja hon­rado pela Cota de bem que produza e cada servo Permaneça Convencido de que a maior homenagem suscetível de ser prestada por nós ao Senhor é a correta execução do nosso dever, Onde esti­vermos.


Frente ao modelo senhor-escravo que estamos habituados e que os poderes do mundo tratam de manter, Jesus nos traz a parábola lembrando-nos que todos somos servos a quem nada se deve, não por sermos imprestáveis, mas porque fazemos apenas o que temos de obrigação e nada além e, com isso, não há valor especial ou mérito.

Com nossa típica arrogância achamos difícil servir. Chamando-nos de servos inúteis, Jesus dá um golpe em nosso ego, mas ele mesmo nos explica: “fizemos somente o que devíamos fazer.”

Esperamos por agradecimentos, recompensas e compensações, mas serviço com Jesus é movido por um senso de dever e lealdade e não esperança de ganhos. A motivação do serviço não deve ser pesada em uma balança em que tendo servido, queremos fazer reinvidicações a Deus, preenchendo um livro contábil ou acumulando bônus-hora.

Continuamos achando que o bom mesmo é ser servido, mantendo um sentimento de superioridade e arrogância.


O conceito de serviço foi muito bem explicado no livro O MONGE e o EXECUTIVO, de James C. Hunter. Você pode ver aqui: http://www.esnips.com/doc/7ed804e2-97e6-430a-ad1d-7ba97bae69cf/O_Monge_e_o_Executivo.


Encaramos nosso serviço com Jesus como opcional. Nossa disposição varia ao menor obstáculo. Não levamos a sério, demoramos para iniciar e quando fazemos é com desleixo, longe da mesma dedicação que oferecemos aos nossos afazeres corriqueiros.

O servo de Deus trabalha para cumprir um dever. Ele não faz apelos e nem recebe honras. Desta forma somos conduzidos a atos desinteressados, produzindo o clima propício para atitude espiritual da fé. O que serve com naturalidade aceita com a mesma naturalidade ser servido. Basta lembrarmos de Jesus na passagem do lava-pés de seus discípulos. Jesus está entre eles como um senhor que serve, mas ao mesmo tempo, ele continua sendo o senhor.



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Um comentário:

DANIELLE CRISTINA BARRETO DE SOUZA disse...

JÁ CONHECIA ESTA SUA POSTAGEM, MAS HOJE O MATERIAL É PERFEITO PARA A ABORDAGEM QUE NECESSITO FAZER COM O MEU GRUPO DE JOVENS. OBRIGADA, GLAUCIA!!!